A Ciência não é Materialista


Um repórter ao preparar uma matéria para revista ou televisão tratando de algum fenômeno tipicamente espírita, comumente no final da reportagem eles consultam um cientista para falar de “como a ciência explica o fenômeno” em análise. O habitual, então, é que seja dada alguma explicação alternativa que não inclua a hipótese paranormal. Dessa forma os autores da reportagem consideram que garantem a imparcialidade da matéria: “mostramos a explicação espiritual e também a científica”.
Aparentemente isso parece bastante acertado. Acontece que há um grave erro epistemológico nessa abordagem. A Ciência, no seu sentido mais apropriado nessa circunstância, é totalmente neutra nesse aspecto. Pois o que melhor descreve a Ciência é o seu método, que nada mais é do que uma ferramenta de investigação dos fenômenos naturais. Então, a pergunta correta seria: “Como os cientistas materialistas explicam os fenômenos em pauta?”. A resposta do cientista não mudaria em nada, mas o leitor teria uma correta compreensão sobre problema.
É do senso comum dizer que a maioria dos cientistas adotam pessoalmente uma visão materialista, e portanto recorrem a ela para explicar os diversos fenômenos. Não há qualquer problema quanto a isso, o materialismo reducionista é uma visão de mundo (ou paradigma) perfeitamente válida. O problema é quando se quer dá voz a Ciência através desses cientistas que evidentemente não tem a neutralidade que o método científico exige.
O materialismo reducionista, que reduz existência de tudo no universo à matéria e forças físicas, excluindo portanto, a existência de um domínio espiritual, é uma filosofia, uma teoria metafísica e não uma teoria científica, uma vez que não é baseada em fatos e sim em suposições e mesmo crenças pessoais. Eles não conseguem explicar, por exemplo, como o cérebro produz a consciência. A pseudo explicação é que em breve a “ciência” irá poder explicar totalmente essa questão. O problema é que essa promessa já se arrasta desde o século XVIII com alguns filósofos alemães e muito pouco se avançou nessa questão, a não ser o estabelecimento de relações entre alguns fenômenos mentais com ativação de regiões específicas do cérebro. Erro similar cometem aqueles que açodadamente afirmam nas tribunas que tal pesquisa “prova” a existência de espíritos, pois a atual filosofia da ciência rejeita o conceito de prova definitiva (a verdade), elas na verdade apoiam a veracidade da hipótese da sobrevivência da consciência após a morte, podemos dizer fortes evidências a favor.
De fato, a academia, os homens e mulheres de ciência em geral, adotam o paradigma materialista, mas percebe-se atualmente uma considerável movimentação introduzindo novas problemáticas nas pesquisas, notadamente nas questões que envolvem medicina e espiritualidade. Além disso grandes nomes da ciência defendem abertamente visões que expandem o conceito dos fenômenos naturais, para além da matéria. …. E que venham novas idéias.
Mauricio Mendonça
Coordenador do IPCE - Instituto de Pesquisa em Ciência Espírita
ipce.ce@gmail.com
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